Amantes e o abraço gay de 2.000 anos atrás em Pompeia
Deuses do Amor - Última atualização: 29 de maio de 2026
A descoberta em Pompeia
Quando Vittorio Spinazzola examinou o molde dos dois corpos encontrados no Criptopórtico de Pompeia, ele inicialmente interpretou a cena como um homem e uma mulher abraçados no momento da morte. A descoberta ocorreu no início do século XX e rapidamente ganhou forte carga simbólica. Assim, a imagem passou a ser conhecida como a dos “Amantes de Pompeia”, representando um amor extremo diante da destruição provocada pela erupção do Vesúvio em 79 d.C.
Posteriormente, o contexto político da Itália fascista influenciou a forma como a descoberta foi recebida e divulgada. Spinazzola acabou afastado das escavações em 1924, após perder apoio do regime de Mussolini. Ainda assim, a narrativa dos “amantes” permaneceu viva no imaginário coletivo.
O destino dos moldes
Durante décadas, os moldes receberam exibição limitada e, em muitos casos, ficaram guardados em depósitos. As instituições responsáveis por Pompeia adotaram uma abordagem mais cautelosa, já que os moldes não representavam apenas objetos arqueológicos, mas também vestígios humanos. Por isso, a divulgação pública ocorreu de forma restrita por muito tempo.
Somente mais recentemente, equipes de pesquisa retomaram o estudo sistemático desses materiais. Em 2015, antes da exposição “Sequestrados até a morte”, especialistas aplicaram tecnologias modernas como tomografia, espectroscopia e análises de DNA para investigar melhor os restos preservados no gesso.
Novas análises e reinterpretações
As investigações iniciais sugeriram diferentes possibilidades sobre a identidade dos dois indivíduos. Em um primeiro momento, pesquisadores interpretaram o molde como um casal heterossexual. Depois, uma nova hipótese propôs que se tratava de uma mãe e sua filha, o que alterou profundamente a leitura simbólica da cena.
Mais tarde, análises genéticas mais avançadas indicaram que os dois indivíduos provavelmente eram do sexo masculino, possivelmente jovens com cerca de 18 e 20 anos. Apesar disso, os resultados não eliminaram todas as incertezas, especialmente no caso de um dos corpos, cujo DNA permaneceu parcialmente inconclusivo devido ao estado de preservação.
O significado que permanece
Embora a ciência continue refinando os dados, nenhuma análise consegue encerrar completamente o debate interpretativo. Os pesquisadores ainda não confirmam uma relação afetiva específica entre os dois indivíduos. No entanto, a posição em que foram encontrados, abraçados durante a erupção do Vesúvio, continua a inspirar leituras simbólicas.
Assim, mesmo quando a investigação científica redefine hipóteses, a imagem dos “Amantes de Pompeia” mantém seu poder narrativo. A descoberta une, de forma singular, arqueologia, história e imaginação humana em torno de um mesmo instante congelado no tempo.
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