Por que as filas nos banheiros femininos são sempre maiores?

Deuses do Amor - Última atualização: 23 de agosto de 2025

Você já reparou que, em shows, bares, aeroportos e shoppings, as filas nos banheiros femininos são sempre maiores? Isso não acontece por acaso — e a explicação não tem nada a ver com batom, espelhos ou fofoca. A ciência, a biologia e até o design dos espaços públicos estão diretamente ligados a esse problema.

O tempo gasto no banheiro: uma diferença de gênero

Pesquisas mostram que, em média, pessoas com pênis passam cerca de 1 minuto no banheiro, enquanto pessoas com útero gastam mais de 90 segundos. Essa diferença parece pequena, mas, multiplicada por milhares de usos ao longo da vida, significa que as mulheres passam mais de 3 horas em filas de banheiro.

Por que as mulheres demoram mais?

As razões são muitas e vão muito além de estereótipos:

  • Menstruação: trocar absorventes ou tampões exige mais tempo e higiene.
  • Roupa: calças justas, vestidos e camadas de roupa tornam o processo mais demorado.
  • Higiene: estudos mostram que mulheres lavam mais as mãos (78% usam sabonete, contra 50% dos homens).
  • Descarga: na maioria dos casos, a descarga está atrás, exigindo mais movimento do que o simples apertar de um botão pelos homens, que já estão de pé.
  • Questões de saúde: gravidez e condições como cistite aumentam a frequência das idas ao banheiro.
  • Responsabilidades extras: muitas mulheres precisam acompanhar filhos pequenos ao banheiro.

Enquanto isso, muitos homens nem sequer lavam as mãos. Segundo o American Food Safety Information Council (FSIC), 3 em cada 10 homens não lavam as mãos após usar o banheiro.

O problema do design

Mesmo quando os banheiros masculinos e femininos são planejados com o mesmo número de cabines, a conta não fecha. Isso porque:

  • Os banheiros masculinos incluem mictórios, que ocupam menos espaço e aumentam a capacidade.
  • As mulheres precisam, em média, 2,3 vezes mais tempo para usar o banheiro.
  • Aproximadamente 20 a 25% das mulheres em idade reprodutiva podem estar menstruadas ao mesmo tempo, o que aumenta ainda mais o tempo de uso.

Ou seja: para que a fila fosse realmente justa, seria necessário ter quase o triplo de cabines femininas em relação às masculinas.

Inclusão no planejamento urbano

A escritora Caroline Criado Perez, em seu livro Invisible Women: Data Bias in a World Designed for Men, mostra como o mundo é projetado a partir da perspectiva masculina — ignorando as necessidades das mulheres, idosos e pessoas com deficiência.

Um exemplo de mudança vem de Hong Kong, que já adota regulamentações exigindo 1,6 banheiros femininos para cada banheiro masculino em locais públicos.

Banheiros de gênero neutro: solução ou novo problema?

Alguns espaços, como o Barbican Art Center e o teatro Old Vic em Londres, tentaram resolver o problema com banheiros de gênero neutro. Mas a divisão foi feita em duas áreas: cabines fechadas “neutras” e mictórios “neutros”. Resultado:

  • Homens podem usar tanto os mictórios quanto as cabines.
  • Mulheres, por sua vez, continuam restritas apenas às cabines — agora disputando espaço com todos que não usam mictórios.

Ou seja, a medida aumentou ainda mais o tempo de espera para elas.

Filas nos banheiros femininos: a verdadeira inclusão

Incluir não é apenas trocar a placa da porta. Design inclusivo significa pensar em espaços que possam ser usados de forma prática e justa por todas as pessoas — mulheres, homens, pessoas trans, idosos, pessoas com deficiência.

Enquanto essa mudança de perspectiva não for incorporada ao planejamento urbano e arquitetônico, as filas nos banheiros femininos continuarão sendo mais longas — e injustas.


Gostou desta matéria sobre filas nos banheiros femininos? Se sim, por favor, curta abaixo com um Like para que possamos entender melhor os interesses de nossos leitores. E leia mais dicas aqui

Posts Similares