É realmente verdade que o amor romântico não existe na realidade?
Última atualização: dezembro de 2025
É verdade que o amor romântico que lemos nos livros e vemos nos filmes, aquele que dura a vida inteira, realmente existe? Ou será que a paixão inicial do casal desaparece com o tempo? Além disso, como escolhemos nosso parceiro?
Para responder a essas questões, recorremos à teoria do apego, formulada na década de 1960 pelo psiquiatra inglês John Bowlby. Ele demonstrou que os relacionamentos amorosos seguem padrões que ajudam o indivíduo a se adaptar ao meio social e físico. Em outras palavras, a teoria do apego explica como, na idade adulta, organizamos nossa vida emocional com base nos laços formados na infância.
O interesse de Bowlby começou ao observar o comportamento de patinhos estudado por Lorenz: eles seguiam o primeiro objeto em movimento que viam ao nascer e o acompanhavam pelo resto da vida. A partir disso, Bowlby percebeu que muitas espécies, incluindo os humanos, têm comportamentos voltados à proximidade física como forma de proteção.
Enquanto alguns veem o encontro entre duas pessoas como fruto do acaso, Bowlby acreditava que a formação de um casal depende da capacidade do parceiro de confirmar as representações internas que construímos sobre nós mesmos e sobre os outros desde a infância. Ele chamou esse processo de homeostase representativa: buscamos relacionamentos que não desestabilizem nossas estruturas emocionais internas.
O apego e os modelos internos
O apego é a necessidade inata de buscar proximidade e proteção em relação às figuras de referência, desde o primeiro ano de vida até a idade adulta. Bowlby contestou Freud ao afirmar que o vínculo mãe-filho não se baseia apenas na nutrição. A proximidade e a segurança emocional são necessidades primárias.
Além disso, Bowlby descreveu os Modelos Operacionais Internos (MOIs), que são esquemas mentais construídos ao longo da vida. Esses modelos permitem que o indivíduo interprete experiências, faça previsões e crie expectativas sobre relacionamentos futuros. Eles podem ser ajustados à medida que a criança cresce e suas experiências mudam.
Para que um relacionamento seja considerado de apego, três condições devem estar presentes:
- Busca de proximidade: a pessoa procura estar perto da figura de apego.
- Protesto pela separação: surge quando o vínculo é interrompido ou ameaçado.
- Base segura: a presença da figura de apego proporciona segurança e confiança.
Tipos de apego na infância
Mary Ainsworth, colaboradora de Bowlby, identificou quatro tipos de apego em crianças:
- Apego seguro (B): crianças com figuras de apego responsivas exploram o ambiente com confiança e retornam à base segura quando necessário.
- Apego inseguro-evitativo (A): crianças com figuras de apego indisponíveis inibem emoções, buscam aprovação externa e evitam intimidade.
- Apego inseguro-ambivalente (C): crianças com figuras de apego inconsistentes têm medo da separação e controlam rigidamente a proximidade.
- Apego desorganizado (D): crianças em situações de perigo com a figura de apego exibem comportamentos paradoxais e desorganizados.
Apego na vida adulta
Pesquisas de Hazan e Shaver (1987, 1992) mostraram que o apego infantil se reflete nos relacionamentos adultos:
- Pessoas com apego seguro descrevem seus relacionamentos como confiantes e duradouros, com média de 10 anos.
- Indivíduos com apego ansioso-ambivalente vivenciam ciúme, obsessão e ansiedade, com relações mais curtas, em média 4 anos e 8 meses.
- Já os ansiosos-evitantes apresentam medo da intimidade e instabilidade emocional, com média de 5 anos e 9 meses.
Conclusão
Apesar das diferenças individuais, o amor romântico apresenta traços universais, como o desejo de proximidade e vínculo emocional. A intensidade e a forma como se manifesta, porém, variam de acordo com o histórico de apego de cada indivíduo.
Compreender esses padrões nos ajuda a entender como e por que nos apaixonamos, além de oferecer ferramentas para cultivar relacionamentos mais saudáveis e duradouros.
Gostou desta matéria sobre Amor romântico não existe na realidade? Aquele que você lê nos romances e vê nos filmes, que dura a vida inteira?? Se sim, por favor, curta abaixo com um Like para que possamos entender melhor os interesses de nossos leitores. E leia mais dicas aqui