Carta para os Deuses – Podemos confiar em alguém que faz te sentir bem apenas às vezes?
Deuses do Amor - Última atualização: 29 de junho de 2026
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Podemos confiar em alguém que faz te sentir bem apenas às vezes?
Queridos Deuses do Amor,
tenho 26 anos e no papel não sinto falta de nada: tenho uma família linda, sou atraente, paguei meus estudos de psicologia, viajei, amei, Sofri…
No entanto, algo dentro de mim travou, já faz um ano. O trabalho me assusta, não consigo passar nos últimos exames e sinto falta daquele impulso vital que nos faz levantar leves pela manhã.
Sou reservada mas sempre tive amigos e sempre fiz voluntariado na paróquia: continuo a fazê-lo mas sem muita vontade.
Há um ano deixei meu ex namorado, com quem eu estava construindo um futuro mas que eu não amava de verdade, pelo que eu achava ser um grande amor.
Comecei o novo relacionamento ignorando os problemas da minha querida P.: uma relação incerta com o álcool, muita sensibilidade…
Havia emoções incríveis entre nós, no entanto, nosso relacionamento está sempre em equilíbrio, esbofeteado por sua personalidade temperamental que colide com minha necessidade oposta de segurança. Discutimos o tempo todo, fazemos as pazes o tempo todo, nenhum de nós quer ceder, mas nos amamos profundamente.
Nesta situação, estou perdendo o rumo. Como se recuperar desse estado de inconsciência? Como combater essa sensação de achatamento? Como entender o que realmente quero fazer “quando crescer”? Você pode confiar em alguém que faz você se sentir bem dentro e fora?
Como se recuperar desse estado de inconsciência? Como combater essa sensação de achatamento? Como entender o que realmente quero fazer “quando crescer”? Você pode confiar em alguém que faz você se sentir bem dentro e fora?
Como se recuperar desse estado de inconsciência? Como combater essa sensação de achatamento? Como entender o que realmente quero fazer “quando crescer”?
(Ale)
Os Deuses do Amor respondem
Minha querida Ale,
Podemos confiar em alguém que só nos faz felizes às vezes?
Existem momentos da vida em que, aparentemente, está tudo no lugar. Família, estudos, amizades, experiências, sonhos. Ainda assim, por dentro, algo parece travado.
Foi exatamente isso que Ale descreveu em sua carta: uma sensação de vazio silencioso, como se tivesse perdido o impulso vital que antes movia seus dias.
Além disso, há um relacionamento intenso, cheio de emoção, mas também de instabilidade. Um amor que faz sentir viva — e, ao mesmo tempo, profundamente cansada.
Então surge a pergunta inevitável:
Podemos confiar em alguém que nos faz sentir bem apenas às vezes?
Quando o amor vira montanha-russa emocional
Relacionamentos intensos costumam ser confundidos com relacionamentos profundos.
No entanto, existe uma diferença importante entre:
- emoção constante,
- e segurança emocional.
Discussões frequentes, reconciliações dramáticas, instabilidade e medo de perder o outro podem gerar uma espécie de dependência emocional. A relação passa a alternar momentos de euforia com períodos de desgaste.
E justamente essa alternância pode criar confusão.
Às vezes, o problema não é a falta de amor. É a falta de equilíbrio.
Sentir-se perdida não significa fracassar
Muita gente acredita que aos 25 ou 30 anos já deveria saber:
- quem é,
- o que quer,
- qual carreira seguir,
- e qual relacionamento escolher.
Mas a realidade raramente funciona assim.
Existem fases em que a vida pede redefinições internas. E normalmente elas chegam justamente depois de grandes mudanças:
- um término,
- uma nova paixão,
- inseguranças profissionais,
- esgotamento emocional,
- ou excesso de expectativas.
Por isso, perder o rumo temporariamente não significa que você estragou sua vida. Muitas vezes, significa apenas que a antiga versão de você já não serve mais.
Pequenas mudanças também salvam
Na resposta à Ale, os “Deuses do Amor” sugerem algo muito simples — e muito verdadeiro:
mudar pequenos hábitos.
À primeira vista parece banal. Porém, mudanças pequenas ajudam o cérebro a sair da sensação de paralisia.
Por exemplo:
- mudar a rotina,
- experimentar novos lugares,
- interromper padrões automáticos,
- testar atividades diferentes,
- aceitar pequenos desafios diários.
Tudo isso ajuda a reconstruir movimento interno.
Porque, muitas vezes, o que falta não é uma resposta definitiva. É voltar a sentir curiosidade pela própria vida.
E sobre o relacionamento?
Um relacionamento saudável não precisa fazer você feliz o tempo inteiro. Isso seria impossível.
Mas ele precisa oferecer:
- estabilidade emocional mínima,
- respeito,
- segurança,
- diálogo,
- e sensação de acolhimento na maior parte do tempo.
Se o relacionamento provoca mais ansiedade do que paz, vale a pena observar isso com honestidade.
Amor não deveria fazer alguém desaparecer de si mesmo.
O medo da mudança costuma nos prender
Muitas pessoas permanecem em relações confusas porque têm medo de perder:
- intensidade,
- conexão,
- paixão,
- ou a ideia de “grande amor”.
Entretanto, às vezes o verdadeiro crescimento começa justamente quando paramos de resistir às mudanças inevitáveis.
O poema Ithaka, citado na resposta original, fala exatamente sobre isso: a importância da viagem, e não apenas do destino.
Talvez amadurecer seja justamente entender que a vida não exige certezas absolutas o tempo todo.
Às vezes, basta continuar caminhando.
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