O livro de amor do mês: Frankenstein de Mary Shelley
Deuses do Amor - Última atualização: 14 de agosto de 2026
Todos os meses sugerimos um livro de amor que você pode ler sozinho ou com a pessoa que ama. Este mês: Frankenstein
Sobre o que é o Frankenstein de Mary Shelley
Publicado pela escritora Mary Shelley em 1818, Frankenstein é muito mais do que uma história de terror. Considerado um dos primeiros romances de ficção científica da literatura, o livro aborda temas como ambição, responsabilidade, solidão, culpa e os limites da ciência.
Ao longo dos anos, a obra deu origem a inúmeras adaptações para o cinema, o teatro e a televisão. No entanto, muitas pessoas ainda acreditam, de forma equivocada, que “Frankenstein” é o nome do monstro, quando, na verdade, esse é o sobrenome de seu criador.
A história de Victor Frankenstein
O protagonista do romance é Victor Frankenstein, um jovem fascinado pela ciência e pelos mistérios da vida.
Após a morte da mãe, vítima de escarlatina, Victor passa a dedicar sua vida aos estudos, acreditando que a ciência poderia superar as limitações da natureza.
Seu maior objetivo é criar um ser perfeito: mais forte, mais inteligente, resistente às doenças e capaz de beneficiar toda a humanidade.
Com esse propósito, ele ingressa em uma importante universidade na Alemanha e aprofunda seus conhecimentos em medicina, anatomia e ciências naturais.
A criação do monstro
Obcecado por seu projeto, Victor passa noites estudando cadáveres e observando os processos de decomposição dos corpos.
Depois de inúmeros experimentos, consegue dar vida à criatura que imaginava.
Entretanto, o resultado está muito distante da perfeição que esperava.
Diante de um ser de aparência assustadora, Victor é tomado pelo medo e abandona sua própria criação.
Esse gesto desencadeia toda a tragédia do romance.
O sofrimento da criatura
Apesar da aparência monstruosa, a criatura nasce sem maldade.
Ela deseja apenas ser aceita, compreender o mundo e encontrar alguém que a ame.
No entanto, é rejeitada por todos que encontra.
A solidão, o abandono e o preconceito transformam seu sofrimento em revolta.
Movido pelo desejo de vingança, o monstro passa a destruir tudo aquilo que Victor mais ama.
Entre suas vítimas estão o irmão de Victor, um grande amigo e, posteriormente, sua esposa Elizabeth.
O pedido do monstro
Em determinado momento da história, a criatura faz um pedido inesperado.
Ela implora para que Victor crie uma companheira semelhante a ela.
Em troca, promete abandonar a Europa e viver isolada para sempre.
Inicialmente, Victor aceita o desafio.
Contudo, durante o processo, muda de ideia.
Temendo criar uma nova ameaça para a humanidade, ele destrói a segunda criatura antes de concluí-la.
Essa decisão provoca ainda mais ódio e desencadeia uma nova sequência de tragédias.
A busca por vingança
Depois da morte de Elizabeth, Victor dedica sua vida a perseguir o monstro.
A perseguição leva ambos até regiões geladas e inóspitas, onde criador e criatura permanecem presos em um ciclo interminável de dor, culpa e vingança.
Ao final da narrativa, percebe-se que nenhum dos dois sai verdadeiramente vencedor.
O verdadeiro significado de Frankenstein
Embora seja frequentemente lembrado como uma história de horror, Frankenstein é uma profunda reflexão sobre a condição humana.
Mary Shelley questiona até onde o ser humano pode ir em nome do conhecimento.
Ao tentar assumir o papel de criador da vida, Victor ultrapassa limites éticos e científicos.
Entretanto, seu maior erro não foi apenas criar a criatura.
Foi abandoná-la.
Sem orientação, afeto ou aceitação, o monstro aprende sozinho sobre o mundo e passa a responder ao sofrimento com violência.
Quem é o verdadeiro monstro?
Essa é uma das perguntas centrais do romance.
A criatura possui uma aparência assustadora, mas demonstra sentimentos como tristeza, solidão, arrependimento e desejo de pertencimento.
Victor, por outro lado, é inteligente, respeitado e admirado pela sociedade.
Mesmo assim, abandona sua responsabilidade e se recusa a assumir as consequências de seus atos.
Por isso, muitos leitores concluem que o verdadeiro monstro talvez não seja a criatura, mas o próprio criador.
Um clássico que continua atual
Mais de dois séculos após sua publicação, Frankenstein permanece extremamente atual.
A obra levanta questões sobre ciência, tecnologia, inteligência artificial, responsabilidade ética e os limites do conhecimento humano.
Além disso, convida à reflexão sobre preconceito, exclusão e a necessidade de acolhimento.
Talvez essa seja a maior mensagem deixada por Mary Shelley: toda criação exige responsabilidade. Quando alguém cria algo sem assumir as consequências de seus atos, o resultado pode ser muito diferente daquele que imaginava.
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